sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Adivinha Quanto ...


"A pequena lebre castanha, que ía deitar-se, agarrou-se firmemente às longas orelhas da Grande lebre castanha. Queria ter a certeza de que a Grande lebre castanha estava a ouvi-la:

- Adivinha quanto gosto de ti. - disse ela.

- Oh, não sei se sou capaz de adivinhar isso! - disse a Grande lebre castanha.

- Isto tudo! - disse a pequena lebre castanha, esticando os braços para os lados tão longe quanto podia.

A Grande lebre castanha tinha os braços ainda mais compridos.

- Mas eu gosto de ti isto tudo! - disse.

Humm .... Isso é muito, pensou a pequena lebre castanha.

- Gosto de ti tão alto quanto eu consigo alcançar! - disse a pequena lebre castanha.

- Eu gosto de ti tão alto quanto eu consigo alcançar. - disse a Grande lebre castanha.

Isso é mesmo muito alto, pensou a pequena lebre castanha. Quem me dera ter braços assim.

Então, a pequena lebre castanha teve uma boa ideia. Fez o pino e chegou com os pés ao tronco da árvore.

- Gosto de ti até à ponta dos meus pés! - disse.

- E eu gosto de ti até à ponta dos teus pés! - disse a Grande lebre castanha, balançando-a no ar.

- Gosto de ti tão alto quanto consigo saltar! - disse a pequena lebre castanha rindo e saltando.

- Mas eu gosto de ti tão alto quanto eu consigo saltar! - sorriu a Grande lebre castanha e saltou tão alto que as suas orelhas tocaram nos ramos da árvore.

Que belos saltos, pensou a pequena lebre castanha.

Quem me dera conseguir saltar assim!

- Gosto de ti por aquele caminho abaixo, até ao rio! - gritou a pequena lebre castanha.

- Gosto de ti até depois do rio e das montanhas! - disse a Grande lebre castanha.

Isso é muito longe, pensou a pequena lebre castanha.

Já estava tão ensonada que mal conseguia pensar. Então, olhou a grande noite escura por entre os arbustos.

Nada poderia estar tão longe quanto o céu.

- Gosto de ti até à Lua! - disse, fechando os olhos.



- Oh, isso é longe. - disse a Grande lebre castanha.

- Isso é mesmo muito longe.




A Grande lebre castanha deitou a pequena lebre castanha na sua cama de folhas. Inclinou-se sobre ela e deu-lhe um beijo de boas-noites. Então, deitou-se bem perto e sussurrou com um sorriso:


- Gosto de ti até à Lua ... e de volta até cá abaixo."




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